“RAÍZES… O QUE NOS UNE!” na rede...
"As raízes são um símbolo poderoso de conexão e pertencimento. Elas representam não apenas a ligação física que as plantas têm com o solo, mas também as conexões emocionais e culturais que nos unem como seres humanos. Cada pessoa carrega dentro de si um conjunto único de raízes, que inclui tradições familiares, heranças culturais e experiências pessoais.
Essas raízes nos moldam, influenciam nossas perspectivas e nos oferecem um senso de identidade e pertencimento. Em um mundo cada vez mais globalizado, é essencial reconhecer e valorizar nossas raízes, pois elas são o que nos liga ao passado e nos dá força para enfrentar o futuro. Ao celebrar nossas raízes, promovemos a diversidade e o entendimento mútuo, criando uma sociedade mais coesa e inclusiva."
Eduardo José Monteiro deQueiroz
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Raízes...
Descendentes lusos (brasileiros e portugueses) de Miguel João e de Margarida De Jesus, naturais de Cepelos, Amarante, norte de Portugal, e migrantes para Minas Gerais, Brasil, antes da 1ª Grande Guerra Mundial (25.Jan.1913 / 14.fev.1913).
In www.o-que-nos-une.blogspot.com
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Carta-Crónica - O Mar Que Nos Une
Queridos familiares,
Escrevo-vos movido por memória, afeto e gratidão. Há uma imagem* (imagem 1 e 2) que desejo partilhar convosco - uma imagem simbólica, feita com a ajuda da IA, mas carregada de verdade emocional. Ela reúne duas partes da minha história: uma fotografia minha dos anos 80, tirada em Vila Real, e a foto da Capela do Senhor da Pedra, em Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, levantada entre o continente europeu e o mar oceânico.
Foi também nos anos 80 que nasceu em mim o desejo de conhecer as raízes e a diáspora da nossa família. Esse desejo não surgiu do acaso - foi inspirado por alguém que continua presente em tudo o que faço em relação ao reencontro familiar: o meu pai, Alberto. Foi ele o primeiro a sonhar em querer reencontrar os nossos familiares emigrados para o Brasil. Eu apenas segui o caminho que ele, silenciosamente, me mostrou.
Nos anos ‘00 do séc. XXI, vivi em Arcozelo, em Vila Nova de Gaia. Servia como Comandante de Posto Policial, com responsabilidade sobre várias freguesias: Arcozelo, Gulpilhares, São Félix da Marinha e Serzedo. Muito perto ficava a Capela do Senhor da Pedra, lugar que a minha família - Natália e Pedro, visitava amiúde por ser um lugar aprazível e simbólico. Ali, entre o som das ondas e o vento do Atlântico, o sonho do meu pai parecia imperar e ganhar voz.
Aquela capela continua a ser, para mim, um símbolo de fé e permanência. Está erguida onde o mar beija a pedra e onde a areia anuncia o infinito. E esse mesmo mar é o que banha Portugal, Brasil e Angola. Foi por ele que o meu pai partiu para Luanda por volta de 1968, e mais tarde, por volta de 1972 fomos nós - eu, a minha mãe Maria de Lourdes e os meus irmãos Beto e Paulo. O Chico nasceu posteriormente em Luanda, Angola. Por isso, sempre senti que esse oceano não nos separa - une-nos.
Imagem 2
Foi já no início dos anos 2000, no século XXI, antes ainda da minha ida para Gaia, que decidi dar corpo ao sonho antigo, vivia em Vila Real e trabalhava no Peso da Régua. Escrevi um e-mail a alguns jornais de Andradas, no Brasil. E foi por meio da Folha Andradense que a Sueli me encontrou. Ali começou o reencontro, não apenas com pessoas familiares, mas com uma parte de nós mesmos que estava à espera de ser lembrada.
Imagem 3
Hoje, quando vejo aquela imagem que une a minha juventude à capela voltada para o mar, sei que ela representa mais do que uma recordação. Representa um sonho que atravessou séculos e gerações: nasceu nos anos 80 do século XX, e tem-se realizado no século XXI - nos anos 2000, 2010 e 2020.
Queridos familiares, esta carta é um abraço feito de palavras. Uma partilha do passado, mas também uma ponte para o futuro.
Porque, no fim, há oceanos que não separam - há oceanos que aproximam, que contam histórias e que unem famílias.
Eduardo José Monteiro deQueiroz
Peso da Régua, 24.10.2025
* A Imagem 1 é resultado do tratamento por IA da Imagem 2 (foto do Eduardo de 1987 + imagem actual da Capela do Sr da Pedra). Para quem conhece o Pedro, repara que na foto gerada por IA (Imagem 1) o suposto "Eduardo" se parece mais com ele.



